Capítulo 1 - Solidão

Estava tudo escuro. Emma sabia que estava com os olhos abertos, mas não conseguia enxergar. Piscou forte, tentando levar uma de suas mãos até seus olhos, mas não conseguia. Estava se sentindo fraca, e respirava com dificuldade, mas não sabia o porquê. Fechou os olhos novamente, esperou alguns minutos, e quando os abriu conseguia enxergar, mas pouco. Via vários borrões espalhados e então esperou mais um pouco, agora piscando sem parar. Sua visão voltava aos poucos, até que percebeu que estava em uma sala extremamente clara. As paredes brancas, os raios solares invadindo o quarto pelas janelas trás dela, com alguns quadros de coisas que ela não conseguia destiguir o que eram e um pequeno armário bege estava ao lado de uma porta - tamém branca. Tentava virar a cabeça para os lados, mas não conseguia. Ainda estava fraca demais para se mover.
Depois de alguns minutos parada com os olhos fechados, Emma sentia sua força voltar. Levantou-se e se assustou ao perceber que estava deitada em uma maca de hospital, com uma daquelas camisolas horríveis cheias de mínimas bolinhas azuis. Estava confusa, não se lembrava em como veio parar em um hospital, na verdade, não lembra de nada. Absolutamente nada.
Andou em direção a porta, abrindo-a rapidamente, querendo sair logo daquele quarto. Agora estava em um corredor, também com todas as paredes brancas. Olhou para um lado e se surpreendeu ao ver que aquele ele era tão grande que nem dava para ver aonde terminava. Olhou para o outro e viu uma sala com algumas cadeiras jogadas no chão. Andou até lá e recuou rapidamente ao ver que a sala estava mais clara do que o quarto de onde estava. Colocou a mão na frente dos olhos e voltou até a sala, percebendo que não era só cadeiras que estavam no chão. Tinham jornais espalhados pelo local, uns quadros idênticos aos que tinham em seu quarto com vidros quebrados, as paredes com alguns buracos enormes e as portas que davam para fora quase despencando. Sentiu um arrepio percorrer por todo seu corpo. Queria sair de lá o mais rápido possível.
Correu para fora, vindo nada de diferente do que estava dentro do hospital. Estava muito pior. Papéis e jornais voavam ao vento, postes estavam caídos nas ruas, carros estavam abandonados e alguns até capotados. Os prédios estavam com suas janelas quebradas, e lá dentro, dava pra perceber que tudo estava escuro como breu.
Lutava para entender o que estava acontecendo, para acreditar até. Parecia que ninguém iria àquele lugar há séculos. Uma onde de pânico percorreu todo seu corpo. E se estivessem mesmo abandonado aquela cidade e estivessem a esquecido lá, sozinha, naquele quarto extremamente iluminado e sombrio?
Olá? - Gritou o mais alto que podia, ouvindo só o eco de sua voz como resposta. Mordeu seus lábios, perguntando-se o que fazer agora, até que sentiu algo movendo-se em seu pé. Olhou para baixo e viu um pedaço de jornal preso, pegou-o e viu a data.
Espantou-se ao ver em que dia estava. Pelo que se lembrava, ela devia estar no ano de 2007, não o de 2010. Ficou ali, parada, fitando a data do jornal sem acreditar. O soltou no ar quando viu outro jornal, o pegou e viu novamente a data. O largou novamente e pegou outro, sem acreditar. Todos diziam a mesma coisa.
O GLOBO
29/08/2010
Leu algumas manchetes do último jornal que tinha pego para ver se tinha alguma explicação para o que estava acontecendo, mas só tinha coisas normais como acidentes de carro, candidatos para as eleições de presidente e etc. Largou-o no chão, frustada por não saber o que estava acontecendo. Queria uma explicação. Por que estava tudo deserto? Por que estava tudo destruído? Por que a deixaram lá naquela porcaria de hospital?
Até que então tudo fica preto. Um zumbido alto, muito alto rola em sua cabeça. Ela aperta os olhos e coloca as mãos na sua cabeça, tampando os ouvidos. Mas não adiantava, era dentro da sua cabeça. Parecia que o barulho aumentava mais e mais. Emma caiu de joelhos no chão, ainda tampando os ouvidos e pressionando, tentando impedir de que sua cabeça exploda. E, de repente, tudo para. Emma não consegue se mecher, estava sendo sugada por um poço sem fim.
"Emma estava no carro com três pessoas desconhecidas. Um homem com olhos azuis e com uma curta barba estava no volante, enquanto no banco ao lado estava uma mulher encantadora de longos cabelos pretos. Os dois pareciam estar discutindo algo, pois estavam super irritados um com o outro. E, ao seu lado, estava uma garota - também bastante encantadora. Parecia chateada. Estava olhando para a janela com sua cabeça apoiada na palma de sua mão. Mordia seus lábios, frustada com algo e deixava uma lágrima escapar por seu rosto. Quando tudo acontece muito rápido. Emma só sente o carro rodopiar, rolando sem parar, até capotar. Estava com dificuldade de se mecher, até que se arrastando conseguiu sair do carro. Logo depois, ele explode. Emma fica apavorada, se perguntando o que tinha contecido com aquelas pessoas, até que viu, desmaiada no chão a garotinha. Correu até ela e tentou segurá-la nos braços, mas não conseguia tocá-la, suas mãos atravessavam o corpo da menina como se ela própria não existisse."